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terça-feira, 12 de julho de 2016

[Reflexão] O candidato do povo

Por Juliano Lima

Juliano Lima
Começou! Começou a maratona de abraços, apertos de mãos, sorrisos colgates, acenos, tapinhas nas costas, fotos artísticas e muito mais. Começou a briga pela chegada ao pódio do poder. Senhoras e senhores, bem-vindos ao ringue das eleições 2016.

É o sonho de todo cidadão ter no comando da gestão municipal de sua cidade um prefeito/prefeita que administre bem e que traga o progresso para a sua localidade. É o sonho de todo cidadão ver o "seu" candidato eleito. Mas, espere um pouco, quando que de fato o candidato que estarei votando é de fato o meu candidato? A resposta é quase nunca, ou nunca. Isso talvez explique o trabalho árduo que o marqueteiro tem em tentar vender a imagem de um candidato. Duda Mendonça e João Santana que o digam.

No dicionário uma das definições para a palavra MEU é "de mim", "pertence a minha pessoa". Muito embora seja difícil uma aplicação desta situação de forma individual, vamos partir para um pensamento macro. A ideia de grupos.

O Estado democrático de direito, aponta o reconhecimento de que a sociedade é formada por vários grupos, portanto composta pela multiplicidade de vários centros de poder em diferentes setores. Só que não! Vamos simplificar com base na realidade dos fatos e entendendo que sempre haverá dois grupos: privilegiados e desprivilegiados. Agora onde estão estes dois? O primeiro está nos benefícios gerados pela política extrativista; nos cargos ocupados sem meritocracia, apenas para saldar dívidas e pagar promessas; empresários que bancam campanhas e esperam locupletar-se com o dinheiro público; nos esquemas fraudulentos etc...

O segundo grupo é recheado até a borda porque aqueles que morrem nas filas dos hospitais; que estudam em escolas precárias com professores mal remunerados e infelizes da vida; pelo desempregado; por todo aquele que é prejudicado pela falta de recursos que fora usurpado pelo primeiro grupo.

Agora vamos voltar ao cerne da questão, tendo como referência a maior parcela de toda a sociedade: o segundo grupo. Como é que de fato esta parcela poderá escolher o candidato que melhor o possa lhe representar e chamar de "meu" se  não há opções? Você não escolhe, você é condicionado a engolir!

Infelizmente a cultura política aplicada há tempos no Brasil de uma forma geral é a definição de nomes de cima para baixo. Onde os grandes partidos e grupos políticos no apagar das luzes escolhem quem será o condutor da tocha oligárquica.  É claro que existem raríssimas exceções, há homens e mulheres bem intencionados. Porém são engolidos, abafados pelas estratégias políticas de partidos chove-não-molha ou acéfalos que decidem orbitar em volta dos grandes palanques  por não conseguirem enxergar e compreender os anseios da sociedade.

O povo está literamente  cansado deste tipo de jogo que infelizmente já se tornou algo cultural. O cidadão quer ver algo de diferente, de inovador, de inspirador, corajoso, algo que mostre que podemos fazer diferente e pensar diferente. Mas por não haver esta iniciativa, por não existir o processo da escolha mais ampla ele acaba meio que se convencendo de que de fato a política é este mundo obsceno repleto de horrores. E que a melhor escolha está condicionada a um pequeno grupo "bem" intencionado que claramente se vira para a sociedade e diz em alto e bom som: NÓS ESCOLHEMOS O MELHOR CANDIDATO PARA VOCÊS!